Rio de Janeiro, 05/10 – A Polícia Rodoviária Federal vem aumentando ao longo dos últimos anos sua visibilidade diante da população fluminense, a fim de tentar tornar sustentáveis as quedas alcançadas, tanto nos índices de acidentes, quanto da prática de crimes no âmbito das rodovias federais.
Sem qualquer sombra de dúvidas, a imprensa é elemento fundamental na difusão de tais iniciativas, na medida em que facilita o acesso da população aos comandos que a lei prevê, alertando para as conseqüências de seu descumprimento.
Contudo, parece que alguns profissionais do jornalismo não sabem bem como lidar com ferramentas tão poderosas, ou o pior, entendem que podem dispor da informação que obtém e a manipulam a seu próprio gosto, às vezes por má fé e outras por pura incompetência.
A matéria produzida pelo jornal Extra deste Domingo (5), com chamada na parte inferior da capa e matéria exibida na íntegra na página 26, revela o quão danosa uma informação mal dimensionada pode ser.
Há uma total dissonância entre o título, o subtítulo e o corpo da matéria. O título denuncia que A FALTA DE CHIPS EM PALM TOP IMPEDEM A POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL DE FLAGRAR CARROS ROUBADOS. O subtítulo ratifica o absurdo e o corpo da matéria parece desdizer o que está plasmado na capa como chamariz para o leitor.
Para a população a mensagem que fica é de que a Polícia Rodoviária Federal é ineficiente, já que não consegue consultar os veículos e, portanto, recuperar aqueles que são roubados e utilizam as vias federais, seja para fugir, seja para praticar outros delitos. E o pior, o referido título funciona como uma espécie de “camarada” dos criminosos, na medida em que catalisa a sensação de impunidade que os motiva a praticar ações criminosas, colocando inclusive a população em risco.
O número de criminosos presos em flagrante pela PRF é expressivo, e os programas que serão carregados nos PALMs, para a realização de todas as consultas, inclusive antecedentes criminais de pessoas e registros de veículos roubados em todo país, como bem destaca o corpo do material produzido, já são largamente utilizados por todos os policiais mediante consulta à Central de Informações Operacionais, via rádio, ou diretamente pelos computadores que existem nos postos. Ou seja, os equipamentos serão ferramentas que facilitarão um trabalho que já é realizado.
O grande problema é que a maior parte dos leitores fica apenas com a mensagem do título e do subtítulo, pois esses costumam ser uma síntese do todo, motivo pelo qual deve haver um pouco mais de responsabilidade no trato com informações tão delicadas.
André Luiz de Azevedo
Chefe do Núcleo de Comunicação Social da Polícia Rodoviária Federal no estado do Rio de Janeiro.