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Sequestro-Relâmpago


By admin - Posted on 17 February 2010

Jornal O Dia - 11/01

Sequestro-Relâmpago

RIO - Uma mulher, que seria sobrinha do presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Marcus Faver, foi vítima de um seqüestro-relâmpago, na noite de segunda-feira, juntamente com uma amiga, filha de um juiz, que estava acompanhada da mãe, de 80 anos, e da filha de apenas 10. As vítimas, estavam em um Focus de cor escura, seguiam de Cabo Frio -- onde passaram o fim de semana -- para a Petrópolis, onde moram e foram rendidas pelos bandidos logo após passarem pelo pedágio no Km 109 da Rodovia Rio-Petrópolis, em Caxias. Um dos bandidos, o taxista e caminhoneiro André Luiz dos Santos Nogueira, 29 anos, foi preso por agentes do Grupo de Policiamento Especial da Polícia Rodoviária Federal.

Os bandidos estavam no Vectra branco LBJ-8652. Para render as vítimas um dos homens chegou a por o corpo fora do carro para apontar a arma e render as vítimas. Um caminhoneiro percebeu o assalto e tentou impedir o ataque, ficando entre os dois carros, mas a farmacêutica Mônica, que dirigia o carro, preferiu não arriscar e parou. Logo depois dois homens mulatos saíram do Vectra e entraram no Focus, só então é que viram a mãe e a filha da motorista, mas não desistiram do plano. Ambos estavam armados e exigiram das vítimas cartões de crédito, cartões de banco, relógios, celulares, cordões, bringos e pulseiras.
De posse dos cartões e senha, os bandidos pararam na Rodovia Washington Luiz e passaram tudo para o terceiro bandido, mais tarde identificado como o taxista André, dono do Vectra. Ele seria o responsável pelos saques em caxias eletrônicos e foi apontado pelos comparsas como um especialista em retirar dinheiro de caixas. Durante a ação, os bandidos chegaram a mencionar que estavam preocupados em não ser enganados por André, com quem "trabalhavam" pela primeira vez, por causa da fama de conseguir tirar sempre mais dinheiro do caixa.
Os bandidos também revelaram que o plano era levá-las para um motel da Washington Luiz e permanecer até que os saques fossem feitos nos caixas eletrônicos, mas eles desistiram porque alguém desconfiaria se eles chegassem com a mãe e a filha de Mônica. Eles ficaram circulando pela Rodovia Washington Luiz, por cerca de quatro horas, até que André completasse o serviço. Porém, ele insistia para que mantivessem as mulheres presas, por causa da facilidade em fazer empréstimos nos cartões de Mônica e de Fernanda.
André sacou mais de R$ 1,5 mil em caixas eletrônicos do Banco Real, pagou uma conta de mais de R$ 300 com um cartão American Express de uma das vítimas e não consegiu retirar dinheiro do Banco do Brasil. Ele foi preso depois de uma perseguição pela Rodovia Washington Luiz, na altura da Reduc, depois que agentes da Polícia Rodoviária Federal avistaram o Vectra, cuja placa foi passada para a Polícia Militar. André estava sendo aguardado pelos comparsas, que foram informados da perseguição ao Vectra e resolveram fugir com o carro das vítimas.
Segundo o depoimento na 59ª DP (Duque de Caxias), os bandidos roubaram todo o dinheiro, mas deixaram a quantia de R$ 6 para que as vítimas pagassem o pedágio. Eles não pretendiam roubar o Focus, mas decidiram seguir com o carro, após avistarem um patamo da Polícia Rodoviária Federal e depois que souberam da prisão de André. Conforme uma das vítimas, os bandidos decidiram abandoná-las depois que um deles recebeu um telefonema e disse para o outro: "Sujou, o André foi preso". As quatro vítimas foram deixadas num ponto da rodovia, nas proximidades do Hospital Geral de Saracuruna, com R$ 100 reais, que a dupla deixou para que pegassem um táxi. Elas, no entanto, usaram o telefone celular da filha de Mônica -- a menina conseguiu esconder o aparelho -- para fazer contato com a polícia.
Com André os policiais encontraram cartões de crédito e de banco das vítimas, R$ 1.635, dois estratos de saques no Banco Real. Na delegacia ele alegou ter sido vítima de seqüestro, mas os policiais disseram que tinham elementos suficientes para autuá-lo por roubo e extorsão. Uma namorada do taxista, que não quis se identificar esteve na delegacia e teve que prestar depoimento. Ela contou que em torno das 21 horas ligou para o celular e André disse que estava trabalhando.
Quando a namorada ligou novamente, minutos depois, ele já estava na delegacia, o que contradiz ainda mais sua versão de que fora assaltado. Segundo ainda a namorada, André faria prova para ingressar na Polícia Militar, no próximo dia 17. Ele se inscreveu escondido dos familiares, que não aprovavam a decisão, e disse para a namorada que sempre teve vontade de ser policial. "Vou dar muito tapa na cara", teria dito para a namorada.
Seqüestro-relâmpagos constantes
De acordo com agentes da 59ª DP (Duque de Caxias) os seqüestro-relâmpagos tem ocorrido com freqüência na Rodovia Washigton Luiz. As vítimas, na maioria das vezes, são mulheres, quase sempre escolhidas ao parar nos pedágios porque são obrigadas a arriar os vidros para pagar. Os bandidos ficam observando os carros e escolhem suas vítimas, geralmente levadas para os motéis às margens da via, até que os comparsas façam a retirada do dinheiro. Conforme ainda com os policiais, geralmente os bandidos utilizam um carro de boa procedência, ou seja, que não consta como roubado. Muitos casos, conforme acreditam os policiais, não chegam ao conhecimento da polícia.

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