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Rumo ao caos
Jornal OGlobo 09/01
RUMO AO CAOS
Muitas explicações plausíveis foram apresentadas para o impressionante número de mortes nas estradas federais no feriado do Ano Novo. Segundo informou a Polícia Rodoviária Federal, em 1.024 acidentes, de 31 de dezembro de 2004 a 2 de janeiro de 2005, morreram 83 pessoas, tendo ficado feridas 843. No réveillon de um ano antes, os números tinham ficado em 53 e 615.
O aumento pode ter acontecido porque a frota de automóveis cresceu; porque o feriado coincidiu com o fim de semana (concentrando o tráfego em poucos dias); porque, de modo geral, os motoristas brasileiros continuam sendo extremamente imprudentes e indisciplinados; e ainda porque não se cuida devidamente da manutenção dos carros.
Mas, certas ou erradas, são explicações, não justificativas. Porque nada justifica tantos desastres e tantas mortes, muito menos que esses números macabros cresçam de um ano para o outro. À parte outros fatores importantes, como o mau estado e a deficiente sinalização de tantas rodovias - falhas cuja solução é obrigação urgente do poder público - está claro que os motoristas brasileiros não apenas comportam-se mal como o seu comportamento vem piorando ano a ano.
O problema, em suma, também é de educação. Como evidenciam os automóveis correndo pelo acostamento das estradas quando há congestionamento ou estacionados sobre as calçadas da cidade quando não há vagas, e tantas outras formas do que se convencionou chamar de bandalha. Na maioria dos casos, o resultado pode ser apenas o incômodo de outros motoristas ou dos pedestres; às vezes é a morte.
Não se pode esperar, no entanto, uma mudança espontânea de comportamento. Ela só acontecerá como resultado de um trabalho educativo persistente, que também cabe ao poder público e precisa começar com a fiscalização e a punição dos maus motoristas, para prosseguir com campanhas sistemáticas.
Não faltam leis adequadas. Mas o Código de Trânsito, por não ser devidamente imposto, está se mostrando, na prática, letra morta. Como grande parte da legislação brasileira, é rigoroso e detalhado - mas não é cumprido.
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